Aqui também cantam, principalmente cedinho. Da minha janela observo os casais de maritacas que pousam no casarão sob o prédio. Do outro lado da rua Uruguaiana está o Bosque dos Jequitibás, refúgio de inúmeras espécies. Há os tucanos, que fazem um barulhão ao cruzar para a rua Proença, onde um morador serve frutas na sacada todo dia. As rolinhas aos bandos vêm dos lados de Valinhos, pontualmente às cinco e meia da tarde para se abrigar nas árvores gigantes do Largo São Benedito, para desespero dos moradores do entorno, que reclamam da sujeira deixada na praça. Imagine milhares de passarinhos todo santo dia e o resultado da noite nas calçadas. Gosto dos urubus, que pousam silenciosos no ponto mais alto do edifício Ipanema, ao lado do meu. Ficam horas se espreguiçando ao sol, que aqui nunca falta. Há pássaros que cantam, outros são silenciosos, alguns barulhentos. Mas tudo é vida pulsante.